A ESPERA II
Dois corpos, tão próximos ou tão afastados quanto a dúvida está da certeza. Ela sente os pés dormentes, depois as pernas, formigueiro este que caminha em sentido ascendente, dominando-a. Existe uma pausa e o formigueiro instala-se na sombra da sua nuca - uma bomba de suspiros, uma revolução de incertezas e expectativas.
Olha-o bem nos olhos, já sem o escutar e espera, inerte, que ele avance. O momento é propício. As mãos dele tocam-lhe o rosto, acariciam-lhe o volumoso cabelo negro. Tenta não pestanejar para que não padeça naquele instante em que lhe é permitido ancorar-se às emoções. Quer acelerar o processo e estendê-lo no refrão mas o seu corpo e mente parecem marionetas nos braços deste homem.
Os seus húmidos lábios anseiam por aquele beijo. Esperam a fatal união, ensaiada em tantas noites. Quer sorver aqueles lábios e senti-los - carne com carne! Ela sabe que o primeiro beijo dita tanta coisa, retribuindo-lhe a indubitável certeza de que este homem é o tal.
Toda ela treme, respira com a genica dos dois pulmões e espera uma vez mais por ele. Não tem coragem para avançar e, de mente encantada com o turbilhão de emoções, nem se apercebe do respirar dele, também ele ofegante.
Ele aproxima-se com vagar hesitante por estar a avançar em terreno desconhecido no chão que ela pisa. Dissolvem-se os odores de ambos, as sombras assumem uma escultura indecifrável, mãos unidas e peitos encostados, arquejantes, lábios trémulos, o dele, o dela no indefensável magnetismo…e por fim o beijo surge numa união de facto…e o tempo esquiva-se, não quer passar por ali…
Olha-o bem nos olhos, já sem o escutar e espera, inerte, que ele avance. O momento é propício. As mãos dele tocam-lhe o rosto, acariciam-lhe o volumoso cabelo negro. Tenta não pestanejar para que não padeça naquele instante em que lhe é permitido ancorar-se às emoções. Quer acelerar o processo e estendê-lo no refrão mas o seu corpo e mente parecem marionetas nos braços deste homem.
Os seus húmidos lábios anseiam por aquele beijo. Esperam a fatal união, ensaiada em tantas noites. Quer sorver aqueles lábios e senti-los - carne com carne! Ela sabe que o primeiro beijo dita tanta coisa, retribuindo-lhe a indubitável certeza de que este homem é o tal.
Toda ela treme, respira com a genica dos dois pulmões e espera uma vez mais por ele. Não tem coragem para avançar e, de mente encantada com o turbilhão de emoções, nem se apercebe do respirar dele, também ele ofegante.
Ele aproxima-se com vagar hesitante por estar a avançar em terreno desconhecido no chão que ela pisa. Dissolvem-se os odores de ambos, as sombras assumem uma escultura indecifrável, mãos unidas e peitos encostados, arquejantes, lábios trémulos, o dele, o dela no indefensável magnetismo…e por fim o beijo surge numa união de facto…e o tempo esquiva-se, não quer passar por ali…
A cortina cai, a plateia aplaude, erguendo-se em tom de total rendição e ouvem-se os assobios… “bravo”, “encore”… “bravo”…

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