sábado, outubro 04, 2008

Meu filho fazes hoje 25 anos.
Há já alguns meses que eu costumava dizer que tinhas 25 anos e tu emendavas-me sempre dizendo que não, que ainda eram só 24.
Não sei porque o dizia. Certamente não era por te querer mais velho! Talvez fosse porque o número 25 fosse mais bonito ou, sei lá… por representar uma etapa muito significativa na vida de uma pessoa.
Afinal não chegaste lá! Um estúpido acidente ceifou-te a vida no dia 26 de Agosto.
Tal como qualquer outro pai sempre sonhei para ti uma boa carreira, um bom emprego, um bom casamento, filhos, etc., etc., tudo aquilo a que costumamos associar a felicidade e o sucesso nesta vida.
Mas acima de tudo o que sempre quis e o que sempre me encheu de júbilo foi a tua presença nos actos mais quotidianos da minha vida.
Não o digo agora porque te perdi! Sempre o disse à tua mãe. Tu eras o meu Sol, eras a luz e a energia que me dava força, entusiasmo e alegria para enfrentar tudo na vida.
Tinhas o dom de com a tua presença, iluminares tudo e todos à tua volta. Às vezes não parecias um produto deste mundo, que é tão egoísta e indisponível para os outros.
Se por vezes isto pode parecer um exagero de pai ferido de morte com o desaparecimento do seu “ SOL”, as mensagens que recebemos de muitas outras pessoas neste momento tão doloroso, quase todas tocam neste ponto comum – a luz, a felicidade e a generosidade que tu irradiavas.
Contigo todos os meus momentos banais se tornavam uma aventura e um entusiasmo. Como última recordação ficou-me aquele curso de dois dias de Astronomia passados no Alentejo profundo, em que cheios de boa vontade, alguns peritos nos tentavam fazer reconhecer algumas das estrelas e galáxias do Céu. Tu, como sempre, fizeste daquele “ pífio” acontecimento, uma estadia maravilhosa para mim, tentando valorizar tudo o que havia de positivo e recuperando construtivamente todas as coisas menos boas que nos rodeavam.
Foste sempre assim, e agora sem ti, sinto-me a navegar sem rumo, sem norte, sem energia.
Muitos amigos transmitem-me, carinhosamente, que devo valorizar e agradecer os maravilhosos 24 anos em que tive o privilégio de te ter a meu lado. Como tive muitas vezes oportunidade de dizer, muito antes de imaginar que tal tragédia nos iria acontecer, era de facto um privilégio poder conhecer e para além disso viver com um dos seres humanos mais maravilhosos e bonitos que alguém pode conceber.
No entanto esses 24 anos sabem-me a muito pouco!
MIGUEL se do sítio onde agora estás não podes voltar para mim, nem sequer falar comigo, ensina-me o que devo fazer para poder voar até ti e voltar a beber da tua energia e luminosidade.
Aqui.. agora... sinto que uma grande parte de mim desapareceu, e a que restou é insuficiente para suportar a tua ausência e dar aos outros entes queridos que cá ficaram e também te perderam, o apoio que eles merecem e necessitam.

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Chorei muito ao ler tão tristes e ao mesmo tempo tão belas palavras...
Senti uma enorme vontade de escrever também...aliás tenho uma enorme necessidade de falar sobre o AMIGO que perdi...sinto que nunca vou deixar de o fazer.

Dou por mim a sorrir ao longo do dia lembrando-me de pequenos momentos que passámos ao longo de todos estes anos... e foram muitos.
Se já sentia que a nossa amizade era preciosa, guardo-a agora, e a todos esses momentos únicos, com todo o carinho do mundo.
Foi um privilégio conhecer-te e um orgulho teres feito parte de metade da minha vida.
A dor que sinto por já não te ter aqui, ao pé de nós, é atenuada, ainda que por instantes, quando penso nos momentos que pude viver na tua companhia.

Paixão da minha adolescência e um AMIGO com quem pude sempre contar...estavas sempre lá quando precisava e mesmo que não nos vissemos durante um tempo, a Amizade permanecia, intacta.
Há tanta coisa para dizer e lembrar...
O dia em que comentei contigo, em vossa casa, que a minha mãe fazia anos e imediatemente te apressaste a arranjar-lhe um presente, colocando uns bonbons numa lata da tua mãe e um bilhete, que ela guarda até hoje, felicitanto-a pelo aniversário. Só tu...
Lembro-me de uma das vezes que fiquei com o carro "empanado", lá vieste ajudar-me, munido de garrafões de água e disposição para voltar a pôr o "Bogas" a funcionar.
Ouço-me a dizer-te tantas vezes "lá estas tu a inventar, Miguel, lá estás tu com as tuas teorias...", quando tinhas sempre uma explicação para tudo mesmo que não percebesses assim tanto do assunto ;)e por isso mesmo sorrias quando te dizia isso.

É claro que nunca nos vamos esquecer da tua fatiota de "carneiro" no Carnaval que passámos em Sesimbra, que te estava um pouco a "fugir à polícia", ou não fosse de uma amiga vossa, quando ela se mascarou aos 10 ou 11 anos. :)

A tua reacção ao ver a montagem de fotografias que fizemos para oferecer ao Gonçalo no casamento dele, nunca hei-de esquecer, disseste várias vezes "Isto é a minha vida", num turbilhão de emoções.
Olho para as paredes da minha casa (nova) e lembro que tantas vezes me disseste que gostavas de a conhecer...
Se soubesse que aquele dia 15 de Agosto era o último dia que falava contigo (e tanto que falámos...) e que te via...
Despedimo-nos de ti com um "até logo" e ainda nos falámos pelo telefone, essa sim a última vez.

Guardo ainda muitas mensagens tuas no telemóvel...uma das quais pedindo-me que te levasse em pensamento à despedida do nosso querido Zé Edu que partiu um ano antes, já que não estavas cá para o fazer.

Que ironia da vida...

Nunca me imaginei perdendo um dos meus melhores amigos, acho que nunca ninguém imagina...
Eras parte de nós...
Nada voltará a ser igual...
Faltas tu, Caracolinhos , como sempre te chamei, mesmo quando os não tinhas :)
Embora não console a saudade, sei que estás bem.

Tocaste o coração de todos com quem te cruzaste e nele permenecerás.

Sei que sempre te lembrarei com o tal sorriso que me assalta tantas e tantas vezes por dia.

Nessa.

segunda-feira, outubro 06, 2008 10:43:00 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Há dias que venho a este site, onde encontro palavras tão bonitas, fortes e arrebatadoras. Desde o primeiro dia que estas lindas palavras me tiram a “tranquilidade” que quero convencer-me que tenho, fazem com que o meu coração fique ainda mais apertado e as lágrimas se tornem impossíveis de controlar.

Gostava de poder falar dos dez, vinte e cinco, cinquenta anos passados com o Miguel… Mas não tive essa sorte. Ficarei apenas com os deliciosos 9 meses de sentimentos tão intensos e os muitos sonhos por cumprir!

Creio que todos nós que o perdemos nos sentimos um pouco à deriva. Eu sinto que perdi a melhor parte de “mim”, do meu mundo… Mas sei que deixou em mim uma imensidão de coisas boas e é a elas que eu vou procurar a força para tentar reaprender a viver sem o Miguel.

Miguel,
Só queria poder voltar no tempo e abraçar-te infinitamente, sem te deixar partir para lado nenhum! Porque é que o teu “para sempre” teve que ser tão diferente do meu?!
Queria morrer velhinha nos teus braços…

A minha vida foi mais bonita por teres feito parte dela. Obrigada!

Continuaremos e encontrar-nos nos sonhos…

quarta-feira, outubro 08, 2008 4:49:00 p.m.  
Blogger Joana V said...

Querido Mané,
Há 25 anos tiveste um filho lindo, um Miguel lindo por dentro e por fora. Todos nós gostávamos muito dele, e é esse amor que nos une. Acredito sinceramente que é esse mesmo amor que faz as pessoas continuarem para a frente e não desistirem, e é o tempo, que ao não poder voltar para trás tenta remediar no futuro. Não te trago novidades, mas acredito também que é a força do Miguel que te ajudava no passado, a que te vai ajudar no futuro.

Just a thought.

Um beijo, da amiga Joana.

quarta-feira, outubro 08, 2008 11:39:00 p.m.  
Blogger Maria Echegoyen said...

caramba, é impossivel ler estas palavras e não chorar de saudade, de afecto... identifico-me tanto com algumas confissões, desabafos e sentimentos que aqui foram transpostos, que nem consigo expressar melhor por palavras a amizade, a estima, e o significado que o Miguel teve e tem para mim.
Miguel, és e serás sempre o meu vizinho querido.

maria machado

terça-feira, outubro 14, 2008 5:26:00 p.m.  

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