sábado, outubro 21, 2006

O MELHOR QUE PRAGA TEM PARA OFERECER


Duplex no seu melhor!

Vai grande Nuno! Este jovem foi despido e violado pela dançarina popozuda, não profissional... e gostou

Dalai Lama checo - aqui está outro dançarino que avistei no duplex. Qual avô cantigas qual quê, quando eu for grande quero ser assim. Que moca de personagens!!!

quinta-feira, outubro 19, 2006

TEMOS PRIMEIRA VISITA!

Acabadinho de chegar, Johnny piloto é a nossa primeira visita, mais que pronto a estrear os variados colchões e sofás da sala. Amanhã chegam mais três ilustres visitas e um dia a casa vai abaixo. Quem queira aparecer vá-se inscrevendo pois há já uma extensa lista de espera!
O nosso piloto não quer saber do que Praga tem para oferecer durante o dia, por isso vamos já direitinhos para o que esta bela cidade tem a revelar noite dentro; nunca sem antes adquirir o belo do fuel.

Para quem vem por uma semana este jovem abusou na bagagem! Ahahah, peço desculpa, esqueci-me de que trouxeste também o nosso contrabando.

À espera do autocarro para casa - a cara de susto deve-se a estar pela primeira vez a respirar o ar de Praga. Depois de o respirares uma vez não queres outra coisa

Aqui está ele a estrear a mesa da sala

Um mar de colchões ou será uma bela sandwish de Bruno Lopes?

Troce-destroce -> a tratar da logística, afinal de contas os 50m2 de sala vão alojar quatro visitantes. Reparem bem nos colchões insufláveis que o Silvestre queria encher a belos pulmões. Lá porque uma vez, sobre o efeito da vodka, o fizeste... ó meu amigo!

El hombre de la camisa blanca - A farda e os galões ficaram para engomar. Prontinho e fresquinho para seduzir, sempre disponível para amar!

domingo, outubro 15, 2006

PASSAPORTE PARA ISRAEL

É meia-noite e ele encontra-se no quarto onde viveu por seis intensos anos. Mobília velha e amarelada pelo sol, sofás gastos, canecas e beatas espalhados ao acaso. Paredes forradas com posters que incutem um ar mais familiar e ajudam a preencher o nu das quatro paredes. Retenho o olhar no poster que forra a porta – é um retrato do James Dean em tons sépia numa rua, possivelmente nova iorquina, cabelo ao vento, máquina fotográfica à tira-colo, cigarro humedecido e carros anos 60 delimitando a estrada. Até aqui seria um vulgar quarto de estudante mas hoje este quarto acarreta um peso diferente, peso da ausência, peso da despedida...

O Ameer é israelita, não sendo judeu mas sim druze das montanhas sobre Israel. Cumpriu serviço militar obrigatório ao serviço do seu país por quatro anos, após os quais decidiu que o destino seria medicina. Porquê Praga não sei! Se fosse português entenderia mas a realidade do Ameer é bem diferente da minha. Nunca estive sobre fogo cruzado e apenas pressinto cenários de guerra sobre a janela dos media. Por outro lado, o Ameer sabe bem o que isso é, embora não saiba, tal como eu, o motivo. Mesmo assim não deixa de esboçar um gigante sorriso de optimismo. Admiro-o!

O meu amigo enfrenta esta noite com um brilho nos olhos, um brilho que espelha aquele nó na garganta e que anuncia a despedida. Encontro-me neste quarto num círculo de estrangeiros, empunhando uma caneca com vodka que usarei, noite fora, para os inúmeros brindes ao nosso amigo que parte - assim a dor da partida será partilhada e dividida por todos...

Tento imaginar o que o Ameer sente ao desfazer-se dos pertences que oferece a alguns dos amigos presentes: cadeiras, posters, candeeiros que o acompanharam nesta jornada da vida. Eu queria aquele poster do James Dean mas esse parte com ele...

O Ameer tem uma aparência rude mas que facilmente cai sobre um coração doce e um inglês peculiar que usa para transmitir ideias de camaradagem e de amor. O sotaque atinge o expoente máximo quando diz: “I’m out of it! No more datings! I love Coco you know?!”. A Coco é a namorada que o espera em Israel. Também o esperam uma família de sessenta pessoas ou mesmo uma aldeia inteira. Explica-me o provável comportamento dos seus pares ao recebê-lo – festa e mais festa por dias a fio, muita música, muitas pancadinhas nas costas, talvez fogo de artifício – enfim, é o regresso do filho pródigo.

A conversa flúi e o Ameer acaba por dizer: “Portuguese boy, when I’ll be there in my land mountains, in a quiet afternoon with the sun in my neck and the warm smell of colitas rising up through the air, this is the sort of music I’d like to ear”; e pelas colunas do computador oiço um soar de guitarra que em tudo parece a portuguesa - balada familiar! Malandro, é um fado de Amália! Julgavas que caía?!

Amanhã Praga acordará com um estudante a menos, há um Pedro que sentirá a ausência de um amigo, mas existirá, contudo, um avião que parte com mais um médico e um sorriso, carregando debaixo do braço o merecido canudo, enrolado num poster do James Dean...

Tenho pena de não te ter conhecido melhor amigo das Arábias! O mundo é pequeno e talvez te volte a ver, Europa ou Mundo fora...

Nuno, Pedro e Ameer na noite dos meus 25 anos

Eu e o Ameer no Papas Bar

Ameer envergando o canudo

terça-feira, outubro 10, 2006

PRAGA AO PRIMEIRO TACTO


Os dias são vividos a um ritmo frenético, um euro equivale a 28 koroas checas e uma semana aqui passada é convertida em meses de loucura em terras lusas!

Cada noite que passa o destino é incerto, isto porque Praga “by night” oferece uma “rollercoaster” de pubs e de discotecas. Em suma, não se sabe onde começar, onde terminar, que tram apanhar de regresso. Até agora todas as estradas têm-nos levado até Strahov - o precário dormitório onde me encontro (Alcatraz para ser exacto) – sem frisar nomes, há quem regresse cedo, há quem pernoite noutros lugares mas pela calada da noite seguinte todos se encontram presentes na penitênciária para a nova contagem e... não há um único recluso que não esteja presente para mais uma noite de boémia!

Aqui a chuva tem um sabor diferente, chovendo com pouca abundância (uma hora de tempestade para várias de bonanza), provocando, em mim, um filtro cristalino na paisagem. Admito que certas cidades são melhor observadas com chuva. Esta parece ser uma delas! Cabelos molhados, corpos ensopados, mapas rasgados empregam um certo teor de paixão! Esse teor aumenta quando se circula na clandestinidade, quando se pretende encontrar a tal casa para alugar, a tal na rua referida ao telefone, pela agente imobiliária num inglês também ele clandestino. É certo que tenho o tempo do meu lado, e qualquer viagem de curta duração na companhia da chuva é imediatamente arruinada; esta não! Esta é uma viagem sem termo de regresso! Depois seguir-se-á a neve...

Curiosamente, recordo com maior nitidez chegar a uma cidade quando a transição é feita na companhia da chuva. Lembro-me de chegar a Nova Iorque num fim de tarde banhado em chuva quente, abrigar-me num barzinho alusivo ao jazz e de secar as mãos sobre um chocolate quente enquanto, por entre a enorme cortina de vidros, observava o ruído da imagem exterior – muito cliché. Mas a chegada a uma cidade molhada que com mais saudade e vivacidade recordo é sem dúvida a de San Sebastian. A chuva obrigou-nos a trocar o parque de campismo por aquele acolhedor quarto com varanda na montanha! Lembram-se Miguel e Raul? Cozinhar no lume do campingás num quarto sem chaminé e partilhar o alguidar da loiça para taça de cereais – passagem de testemunho sem sequer o lavar, comendo à-vez, leite sobre o leite da manhã anterior! Ou mesmo no mar, quando o Raul perguntou a um local as horas e este apontou para a torre do relógio a quinhentos metros sobre a neblina...

Estou a preencher a caderneta do vocabulário Erasmus, aqui vão algumas citações que muito embora para muitos não tenham qualquer significado, para nós têm toda a força da palavra:

- “O que é para ti o Erásmus? Erasmús para mim é a prova de fidelidade para com a tua alma gémea” (Esta é bem velhinha e de autoria do 13, o senhor do Erasmus);

- “És como um helicóptero – gira e boa” (frase mítica no norte e desconhecida em Lisboa e terá que ser sempre pronúnciada com aquela pronuncia do norte carago);

- “Eu gosto é delas a pingar do carter”;

- “Ó estrela queres cometa?”.
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